sábado, 27 de setembro de 2008

Pedaços

Bocados deixados pelo tempo constroem as memórias que guardamos religiosamente como prémios de algo bem feito. Juntos com uma linha de esperança formam um retalho da nossa vida que tentamos nunca esquecer, mas que indubitavelmente acabamos por ultrapassar, pois a dor que causam só é superável pela prazer que proporcionaram no seu tempo. Deitamo-nos sobre esse manto e escondemo-nos deibaixo dele. O mundo passa à nossa volta e tentamos passar indiferentes. Quando queremos voltar já é tarde, já o mundo se desinteressou por nós, e as memórias, esse manto de retalhos do passado já não volta. Não existe presente, a vida é feita de momentos que não conseguimos agarrar, vivemos com os olhos no futuro e com o rasto do passado. Esse momento infinitesimal que é o presente é demasiado pequeno para a nossa sensibilidade, o momento que vivemos passa de imediato ao passado e a sensação daquele beijo, daquele carinho, daquele olhar terno, a sensação de calor daquele abraço não mais volta, só resta a memória só aí o conseguiremos viver, mesmo que não passe de uma ilusão daquilo e daqueles que já não temos.
Vivo com o medo de um futuro que desconheço e com a saudade de um passado que desejo e que não mais voltará. Valerá tudo isto a pena?
Creio que já nada vale a pena, porque a alma nunca deixará de ser pequena.

Por ti, para ti....Simplesmente EU.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A Vingança

Não, não me vou pôr a falar da novela não se preocupem. Vou falar do acto de vingança tal e qual como o vejo. A vingança, tal como muitos outros actos, é tida como uma coisa feia na nossa sociedade. Para quem está bem na vida, para quem não foi magoado traído, torturado, abandonado, pisado, a vingança é de facto uma coisa feia que não se faz. Por seu lado, quem está do outro lado da barricada vê a vingança como um acto legitimo de auto-defesa. A vingança não é mais do que fazer aos outros aquilo que nos fizeram a nós (ás vezes até mais forte ainda para nos sentirmos superiores). Ninguém, mas absolutamente ninguém tem o direito de subjugar e pisar outra pessoa por forma a conseguir satisfazer os seus interesses, sejam eles de que natureza forem. Se nos apunhalam, se nos mutilam, temos o direito e o dever de nos recompôr e fazer exactamente o mesmo a essa pessoa. Só dessa forma conseguimos que a justiça impere e restabeleça o equilibrio natural da existência humana. Mas o mais incrível na vingança é o doce sabor que deixa após a consumação do acto. Aquela sensação maravilhosa de libertação, de superação e de sofrimento causado é demasiado boa para que o puritanismo hipócrita de uma sociedade suja nos impeça de a fazer. O problema da vingança é aquilo que mencionei atrás e que se traduz no facto de quando nos vingamos tendemos a causar mais dor do que aquela que nos foi causada e isso levará a que, do outro lado, exista uma necessidade de igual vingança pois sentirão que sofreram mais do que mereciam. Entramos numa espiral nefasta que levará a muita dor e não deve ser esse o propósito da vingança.
Vinguem-se, façam sofrer, e façam-no com gosto e retirem o maior prazer possível disso. Simplesmente não sejam prepotentes ao ponto de tentarem na vingança tornarem-se superiores. Com isso apenas conseguirão trazer mais dor à vossa vida.

Por ti, para ti....Simplesmente EU.

domingo, 21 de setembro de 2008

A Lua

Cansado, o rosto baixou a guarda. O coração, esse há muito que havia perdido o batimento da esperança, o seu pulsar limita-se à mera função biológica. Tudo perdeu o brilho, já não reluz, já não transmite alegria. A vontade incessante de viver entusiasticamente, de fazer mais, de fazer melhor, de chegar mais longe desapareceu. Para quê tudo isso se não existe ninguém que partilhe connosco esses sucessos, que nos ajude nos obstáculos? O rosto, cabisbaixo dirigiu-se à calmia da praia. A luz, pouca, iluminava o suficiente para que a escuridaão não fosse tenebrosa, antes acolhedora. Sem força, sem alma, sem vigor...nada conseguiria melhor descrever a alma daquele rosto naquele momento do que a luz lunar. Sentado na areia fria, escutando o mar que beijava à terra ao mesmo tempo que se lhe fugia trouxe à memória a dor da perda. Tal como o mar, também na vida os bons momentos partem com a mesma rapidez com que assolam o nosso espirito. E a dor dessa partida, constante, iminente, deixa marcas, essas eternas, e aos poucos esse coração, capaz dos mais belos sentimentos, não é mais do que um manto de retalhos causados pelas cicatrizes do passado.
Pela primeira vez na história desse rosto, não foi o sal do mar que temperou as areias daquela praia, foram as lágrimas de um passado que não volta, mas um passado que nunca será esquecido. À mercê de um mundo contra o qual não consegue lutar, o rosto abandonou a praia, resignado pela sua impotência, agastado pelo sofrimento de algo imposto por si mesmo, pois nada mais cruel existe do que os puros sentimentos. Chegado à fronteira desse seu pequeno refúgio parou, e sem olhar para trás, escutou uma última vez o som das ondas, o som reconfortante das ondas...sob a luz mais bela...a tua luz...a luz lunar.

Por ti, para ti....Simplesmente EU.

sábado, 20 de setembro de 2008

A Religião

Bem mais um daqueles temas que me apaixonam imenso e dos quais adoro falar, por isso não podia deixar de lhe dedicar um post. Antes de começar efectivamente a descrever a minha posição sobre a Religião queria deixar desde já claro que sou um ateu convicto, e talvez daí venha a minha grande adoração pelos assuntos relacionados com as várias religiões.
Tal como já referi anteriormente no meu post sobre a morte, o ser humano lida muito mal com a dúvida, odeia aquilo que não entende e que não controla. Desde os primórdios da sua existência se debate com questões existenciais como "O que existe para além da morte?" ou "Porque estamos aqui?" Devido ao egoísmo inato que o caracteriza, o ser humano não consegue aceitar o facto de a sua vida se resumir a uma simples existência de 80/100 anos desaparecendo posteriormente da face do universo enquanto consciência. Este foi um dos motivos que levou e reforçou a criação da Religião. O outro grande motivo prende-se com a dúvida que mencionei anteriormente. Face à nossa incapacidade de justificação de determinados factos, o Homem necessitava veementemente de uma sustentação, de algo que o confortasse e lhe permitisse refugiar da dúvida. Nasceram então as religiões, com os seus respectivos deuses como forma de justificar as coisas boas que aconteciam sem explicação e como bode expiatório para as coisas más também. Um dos meus maiores argumentos que sustentam o meu ateismo prende-se com o facto de século após século muitas das obras atribuídas aos deuses terem vindo a ser provadas cientificamente, arranjando uma justificação "humana". As colheitas, as guerras, o clima, todas estas coisas eram atribuídas como manipuláveis pelas entidades divinas e foram sendo consecutivamente dismistificadas pelos homens da ciência.
É mais fácil aceitarmos o destino como justificação para as nossas acções do que responsabilizarmo-nos pelas mesmas, é mais fácil dizer que foi "Deus que quis que assim fosse" do que aceitarmos os nossos fracassos devido às nossas limitações. Tudo aquilo que fazemos advém da nossa forma de estar, do nosso posicionamento perante a sociedade e perante a vida e não pode nem deve ser atribuído a uma entidade "superior". Independentemente daquilo que sejamos, um cientista de renome ou um pedreiro, é mais gratificante para nós mesmos, aceitarmos a nossa responsabilidade nisso do que nos definirmos como marionetas nas mãos de alguém que nos conduziria como marionetas. O céu e o inferno vivem-se aqui, no nosso dia a dia, na nossa consciência (principalmente aqui na nossa mente). Tentem ser felizes, tenham objectivos e tentem realizá-los, para que cheguem ao fim e possam fechar os olhos com a sensação de que valeu a pena.

Por ti, para ti....Simplesmente EU.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A Morte

Decidi criar um post relativamente a este tema pelo facto de o mesmo ser de uma importância enorme na vida das pessoas.Este acontecimento é visto e tido sob imensas formas, falamos de morte enquanto fim de um ciclo, falamos de morte enquanto inicio de um ciclo, fala-se da morte como um castigo. Independentemente de como é vista ela é sempre analisada numa base negativa, de medo, de ansiedade. Este facto é completamente compreensível, isto porque o Homem sempre se deu mal com aquilo que não domina, com aquilo que foge ao seu poder e principalmente com aquilo que desconhece. A dúvida é a pior sensação, a pior forma de estar que o ser humano pode passar. A morte representa igualmente o nosso instinto egocêntrico e narciso, pois ao desejarmos a imortalidade estamos a prender-nos e a subverter uma lógica biomecânica criada e mantida por milhões de anos. Falamos em querer a imortalidade mas esquecemo-nos muitas vezes de referir os moldes dessa imortalidade, falamos de imortalidade mas esquecemos que a mesma não é sinal de juventude e saúde.
A morte é antes de mais uma necessidade da nossa sociedade, não só em termos económicos, dado que existe uma grande indústria que necessita de ser alimentada, falo da indústria fúnebre, mas também porque a nossa morte significa uma libertação de espaço para as novas gerações que nascem e crescem (imaginem um mundo onde ninguém morria e havia constantes nascimentos, isto é contabilidade pura).
Podia alongar-me mais neste tema mas corria o risco de fazer un ensaio e não quero parecer arrogante a esse ponto, dado que me falta muita experiência de vida (felizmente experiÊncia de morte ninguém tem).
Em jeito de conclusão digo-vos para tentarem ver a morte como um bem necessário (sim leram bem), e não tenham medo, é algo natural que tem que acontecer.
É preferível que a vossa morte tenha sentido do que passar uma vida inteira sem sentido.

Por ti, para ti....Simplesmente EU.

domingo, 14 de setembro de 2008

Elogio à beleza

Num acaso primoroso, cruzou-se com a minha existência e, apercebendo-se da turbulência sobre o meu espírito tentou, com as suas palavras doces e a sua imagem de mundo imaculado, fazer-me renascer para um estado que não é possível existir, pelo menos por muito tempo. Sem me aperceber fui sendo contagiado por um sentimento cuja dimensão as palavras não conseguem explicar, embrenhando o meu coração neste sentimento que pensava não existir em mim. Aprendi que até o ser mais frio, mais racional e matemático está indefeso ao amor. Durante este tempo aprendi, aprendi a crescer, a adaptar-me a moldar-me, aprendi a ser feliz e aprendi que também eu merecia. Por amor fazemos coisas que nunca pensamos possíveis, cedemos em aspectos que nunca sequer pensamos ceder, mas nunca por submissão, mas sim por respeito, por lealdade.
Começava a apoderar-se de mim o sentimento que talvez esta sensação pudesse ser eterna, que talvez houvesse esperança. Mas a Razão que antes me prendia nunca mais certa esteve, a vida tratou de repor a linha certa no rumo dos acontecimentos das pessoas e trouxe-me mais uma vez para o lado inerte, frio e vazio a que sempre pertenci. Tu continuas, linda como sempre, e venero-te todos os dias nesse sorriso que carregas que, por si só, acredito que pararia uma guerra. Embora longe continuas a alimentar o meu espírito, o teu olhar, o teu sorriso, a tua expressão transmitem conforto e paz, pois as recordações são tão vivas como se as experimentasse todos os dias.
Foste a minha lição mais dura, talvez por teres sido também a mais bela, e por todo o impacto que tiveste, que tens e terás sempre na minha existência.
Até que a morte me separe de ti, e por muita dor que isso me possa causar amar-te-ei genuinamente.

Por ti, para ti....Simplesmente EU.

sábado, 6 de setembro de 2008

Será que está a chegar?

Esta crise que nos acertou desde meados de 2007 é sem dúvida o ponto da História mais importante desde o fim da II Grande Guerra. Não me estou a referir particularmente aos aspectos económicos, nem me vou pôr aqui a falar deles pois, caso o faça, arrisco-me a que ninguém termine a leitura deste post. O mais importante a retirar desta crise é sem dúvida alguma a forma como nos posicionamos perante ela e as consequências que a mesma trouxe. Perante o frenesim da queda dos activos hipotecários de risco americanos, com o consequentemente desmoronamento do sistema financeiro global, os investidores refugiaram-se nos activos reais (ouro, arte, cereais). Com este refúgio veio ao de cima um problema endémico dos dias actuais que se materializa no facto de estarmos perante um overload de consumo perante as nossas capacidades actuais de produção. Com o refúgio nos cereais o seu preço obviamente galopou e os primeiros a sentir isso na pele foram aqueles que nada tiveram a ver com a crise de crédito americana, ou seja, os paises produtores desses mesmos cereais, na sua generalidade pobres. É o mundo global em que vivemos meus senhores, a maravilhosa invenção humana que começou hà já algum tempo mas que agora ganhou força. Por si só isto seria um problema suficientemente grave para que os nossos líderes mundiais se sentassem seriamente à mesa para obter soluções, mas seriedade não é certamente o pilar que regula a actuação desses líderes.
Para agravar isto tudo temos o problema energético para resolver. Com a crise americana e com a actuação da Reserva Federal Americana a optar por uma política de expansão monetária (redução drástica das taxas de juro) a consequência pautou-se pela subida vertiginosa dos preços do petróleo, trazendo à tona mais um grave problema desta civilização que é saber como vamos conseguir sobreviver quando o petróleo escassear drasticamente. Fez-se greves, pediram-se subsídios, pediram-se apoios para o desenvolvimento dos biocombustíveis (que provocaram também a escalada do preço do petróleo) mas não ouvi nenhum movimento maciço a criar uma alternativa credível através de energias renováveis que, terão obrigatoriamente que ser a saída para este problema.
Para terminar em grande deixo apenas o resultado do mais recente estudo relativamente ao desenvolvimento da destruição dos nossos calotes de gelo polares, que de ano para ano diminuem, devido ao aquecimento global. Segundo este estudo chegamos ao ponto de não retorno, ou seja, já não é possível reverter o processo de degelo dos pólos o que significa que o FIM (o Apocalipse como alguns lhe chamam) está certo. Aplica-se aqui a teoria darwinista da evolução e sobrevivência das espécies. Num mundo em competição sobrevivem e desenvolvem-se aquelas espécies que forem mais fortes e com mais capacidade de adaptação ao meio, infelizmente não somos capazes de nos adaptar a nós próprios.

Por ti, para ti....Simplesmente EU.

Revigorado...para o negro que aí vem

Volvidas as merecidas férias que hà tanto ansiava, volto ao mundo real, aos desafios reais, sempre diferentes (embora sempre iguais). Mas as palavras de hoje vão para as primeiras férias inteiramente suportadas pelo meu esforço laboral. Sabe bem sermos nós a pagar tudo, é aquilo a que se chama independência, aquilo pelo que lutamos a vida toda embora nunca o sejamos inteiramente (pois a condição do Homem é de inteira dependência sobre o próximo). Este ano tive direito a férias em 3 sitios diferentes: montanha e praia, norte e sul. Aconteceu de tudo mas acima de tudo o que fica foi a companhia dos meus melhores amigos, e outros que vieram a revelar-se uma desilusão.
Consegui rir numa altura em que a tristeza assola a minha alma, consegui fazer rir numa altura em que nem os meus pilares consigo segurar, e por momentos consegui esquecer aquilo que nunca será esquecido, pois o orgulho e o amor não se vergam ao poder do tempo.
Regressado aos desafios laborais, o clima é ainda mais escuro que o tempo que faz por esta altura, mas nada importa, resta a cobardia de não poder desistir, a curiosidade alimenta-me o espírito para ver se a bonança que se segue à tempestade repara as feridas (embora regresse novamente), e para ver até onde consigo ir, não muito longe com certeza mas suficientemente longe para me iludir no tempo que sobra.
Atrás o caminho desmorona-se, obriga-me a caminhar, à frente a escuridão assola-me a vista, os passos que dou, forçados, a medo, são uma incógnita sobre o que aí vem. Falta-me a força, o meu pilar de vontade abandonou-me, desistiu de mim.

Esvaziado, termino

Por ti, para ti....Simplesmente EU..