sábado, 27 de setembro de 2008

Pedaços

Bocados deixados pelo tempo constroem as memórias que guardamos religiosamente como prémios de algo bem feito. Juntos com uma linha de esperança formam um retalho da nossa vida que tentamos nunca esquecer, mas que indubitavelmente acabamos por ultrapassar, pois a dor que causam só é superável pela prazer que proporcionaram no seu tempo. Deitamo-nos sobre esse manto e escondemo-nos deibaixo dele. O mundo passa à nossa volta e tentamos passar indiferentes. Quando queremos voltar já é tarde, já o mundo se desinteressou por nós, e as memórias, esse manto de retalhos do passado já não volta. Não existe presente, a vida é feita de momentos que não conseguimos agarrar, vivemos com os olhos no futuro e com o rasto do passado. Esse momento infinitesimal que é o presente é demasiado pequeno para a nossa sensibilidade, o momento que vivemos passa de imediato ao passado e a sensação daquele beijo, daquele carinho, daquele olhar terno, a sensação de calor daquele abraço não mais volta, só resta a memória só aí o conseguiremos viver, mesmo que não passe de uma ilusão daquilo e daqueles que já não temos.
Vivo com o medo de um futuro que desconheço e com a saudade de um passado que desejo e que não mais voltará. Valerá tudo isto a pena?
Creio que já nada vale a pena, porque a alma nunca deixará de ser pequena.

Por ti, para ti....Simplesmente EU.

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